Contrato e mini-contratos. Stop Loss

Negociação de um ativo por meio de contratos que só vão ser realizados no futuro? Parece algo complicado demais para o investidor comum, mas não é. Neste artigo, vamos explicar o que são essas operações e como elas são usadas no mercado financeiro. 

Contratos futuros são amplamente utilizados como uma forma de proteção por grandes operadores do mercado. Como forma de facilitar o acesso do pequeno investidor a este tipo de ativo, a bolsa de valores desenvolveu os mini contratos, que tem aportes menores do que os contratos cheios.

Um Contrato Futuro

Um contrato futuro é simplesmente uma operação de compra e venda como outra qualquer. A diferença é que essa operação só vai ser concretizada no futuro. Assim, nesse acordo tanto o comprador como o vendedor já sabem o preço de negociação e a data em que ela vai ser realizada de fato.

Essas operações são muito utilizadas por vendedores e compradores como forma de proteção – chamado no mercado financeiro de hedge – de possíveis flutuações que o mercado possa ter no futuro. Isso acontece porque as partes envolvidas já sabem exatamente os valores da negociação independente do preço de mercado sua data de realização. Logo, se protegem. 

Os ativos mais negociados em contratos futuros são: moedas – em especial dólar, commodities (soja, milho, petróleo…) e índices de ações – destaque para o índice futuro da B3 (antiga BM&F Bovespa) chamado pela sigla WIN.

Um Mini Contrato

Em 2001, a então BM&F Bovespa, estruturou as operações de mini contratos. O objetivo foi criar uma forma de o pequeno investidor ter acesso a esse tipo de operação, democratizando o acesso a esse tipo de ativo. 

Os mini contratos são negociados diretamente na bolsa de valores, assim como ações. Eles têm vencimento toda quarta feira mais próxima do dia 15 de um mês. O código de negociação é formado por uma sigla em que as primeiras letras correspondem a natureza do contrato – se é um contrato de dólar, de índice etc. – a última letra correspondem ao mês de vencimento do contrato, e por fim dois números representando o ano de vencimento. 

Na tabela abaixo temos os códigos dos principais contratos negociados

Ativo Código
Índice Cheio IND
Mini Índice WIN
Dólar Cheio DOL
Mini Dólar WDO
Boi Gordo BGI
Soja SFI
Petróleo WTI

 

Na tabela abaixo temos os códigos dos meses do ano.

Mês Código
Janeiro F
Fevereiro G
Março H
Abril J
Maio K
Junho M
Julho N
Agosto Q
Setembro U
Outubro V
Novembro X
Dezembro Z

 

Um exemplo de código de negociação é o contrato WING20, que é o contrato de mini índice futuro da Bovespa (WIN) com vencimento em Fevereiro (G) de 2020.

Uma aplicação importante

Um ótimo exemplo de utilização de contratos futuros é como se proteger de variações do dólar. Se uma empresa tem uma dívida em dólar com vencimento daqui a 3 meses e tem medo (ou faz uma análise) de que o dólar suba nesse período, essa empresa faz um contrato de dólar futuro em que ela se compromete com uma cotação de R$ 3,90 

Quando do vencimento do contrato, se o dólar estiver em R$3,70 a empresa vai ter que pagar – em reais – a diferença de R$ 0,20 para cada dólar negociado. Porém, isso não deve ser visto como um prejuízo, já que o objetivo da operação era proteger o poder de compra da empresa em dólar para ela pagar a sua dívida. 

Caso a moeda americana suba para R$ 4,50 a empresa vai receber a diferença de valorização da moeda – em reais – de R$ 0,70 para cada dólar negociado. Vale a mesma lógica do exemplo anterior: esse valor não deve ser entendido como um lucro para a empresa, e sim que o poder de compra em dólar foi mantido por meio do contrato de dólar futuro.

A operação de contratos futuros tem uma imagem de complicada e arriscada no Brasil. Mas a verdade é outra: um contrato futuro pode proteger o investidor da volatilidade do mercado, e com a opção dos mini contratos o investidor pessoa física tem uma opção acessível para entrar nesse jogo e diversificar sua carteira.

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