Gestão inteligente e fundos de investimento

Em tempos de muitas promessas de retornos mágicos e multiplicadores, mais do que nunca é importante lembrar uma máxima presente (obrigatoriamente) em materiais de divulgação de investimentos: “Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura”.

É bastante comum entrar em sites de investimentos ou receber emails com “fundos do momento” e a chamada para o material é: “fundo rendeu 300% do CDI” ou “fundo subiu 20% em 2018”.

De fato, essas informações atraem a nossa atenção e devem ser comemoradas pelas gestoras desses fundos, foram excelentes retornos! Mas ao mesmo tempo, o investidor não deve investir só porque aquele fundo está ganhando.

Em muitos fundos e gestoras é comum termos uma estratégia de investimentos em que a alocação dos recursos se baseia em cenários e teses. Lembro aqui do caso apresentado no filme “A Grande Aposta” em que o gestor Michael Burry contrasta  todo o mercado, apostando numa profunda crise que se confirmou surpreendendo a todos em 2008. Até a tese dele se confirmar e gerar retornos para sua estratégia, muitos investidores deixaram o fundo porque não observavam resultados. O mesmo pode acontecer para o investidor que só olha pelo retrovisor: pode acabar entrando em um fundo que já ganhou dinheiro com sua tese e a partir daí, não há nenhuma certeza que ele irá acertar novamente.

Vamos pegar exemplos mais recentes da indústria de fundos multimercados: Legacy Capital e Dahlia Capital. Ambas são duas novas gestoras do mercado, mas com uma equipe com muita experiência: a equipe da Legacy vem da tesouraria do Santander e a equipe da Dahlia vem da área de pesquisa de investimentos em ações do banco Merrill Lynch para América Latina.

Os dois fundos em sua curta existência se destacam com performance bem acima do CDI no período, mas o investidor deve alocar recursos nesses fundos só pela rentabilidade passada?

O investidor deve basear sua decisão de investimentos na qualidade da equipe de gestão, olhando muito mais fatores qualitativos do que apenas o quanto o fundo rendeu. E que fatores qualitativos podem ser analisados?

  • Qualidade, experiência da equipe de gestão
  • Visão da gestora sobre o cenário de investimentos
  • Estratégia do fundo: onde ele aplica o dinheiro
  • Aspectos operacionais: liquidez, valor de aplicação, taxa de administração e performance
  • Correlação do fundo com benchmarks do Mercado

A performance pode ser utilizada pelas gestoras e distribuidoras como um chamariz para novos investidores, mas que tem um dever de casa: entender como aquele fundo performou até ali, quem faz a gestão e o que pode esperar para o futuro segundo a sua visão de mercado. Afinal, investir em fundos de investimentos é terceirizar a gestão do seu dinheiro para uma empresa/gestora com uma equipe de profissionais especializada nessa atividade.

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