Plano Real

Em junho de 1994, a inflação acumulada de 12 meses chegou a superar a incrível marca de 4900%. O país já sofria há décadas com uma inflação estrutural, e o problema não parecia ter solução. Até que apareceu um novo plano econômico que mudaria essa realidade.

O plano real é considerado o grande “salvador” que tirou o Brasil da hiperinflação e ajustou a economia nacional. Suas bases liberais, de responsabilidade fiscal e transparência com a população foram pontos chave para o seu sucesso.

A situação caótica

No período anterior ao plano real a economia brasileira vinha de quase 3 décadas de alta inflação, especialmente a partir dos anos 80. Diversos planos econômicos, 4 reformas monetárias, mudanças de moeda, cortes de zeros, congelamento de preços. Nada parecia resolver o problema da hiperinflação que assombrava o país.

Como causas desse descontrole do aumento de preço havia um país com alto endividamento externo, elevado déficit primário – que são as receitas menos despesas do governo, alta indexação da economia, um estado inchado e ineficiente. Além disso, uma crise política que culminou com o impeachment do então presidente Collor.    

O plano

O plano real foi dividido em 3 etapas, e cada passo seria comunicado com antecedência para a população. Não haveria mais congelamentos de preços surpresa, ou trocas de moeda repentinas como ocorrera em planos anteriores. A ideia era que as pessoas confiassem no plano e tirassem o “pensamento inflacionário” das suas cabeças.    

Como a economia brasileira estava em uma situação caótica, era necessária uma ação imediata para dar um “choque” no mercado. Por isso, a primeira fase foi denominada: Programa de Ação Imediata (PAI). Seu objetivo era realizar um forte ajuste fiscal nas contas públicas e desindexar a economia. Suas medidas foram: diminuição de gastos públicos, aumento de impostos, combate à sonegação fiscal e privatizações. 

A segunda fase foi a implementação da Unidade Real de Valor (URV), seu objetivo era ser uma moeda “paralela” ao Cruzeiro Real – moeda circulante, só que pareada ao Dólar e, consequentemente, com uma inflação próxima da moeda americana. Vale ressaltar que a URV era uma moeda de conta, ou seja, era uma moeda de referência, mas os pagamentos continuavam sendo feitos em Cruzeiro Real.

Por fim, no dia 1° de Julho de 1994, ocorreu a implementação do Real como moeda oficial do Brasil. Na época, uma URV era equivalente a 2.750 Cruzeiros Reais, e ambas eram iguais a 1 (um) Real. Assim foi implementada a nova moeda de conta, pagamentos e reserva de valor do Brasil.

Os resultados

O principal resultado do Plano Real foi o controle da inflação, principalmente do seu componente inercial. O ajuste fiscal e a criação da URV foram os pontos chave para o sucesso do plano. A inflação caiu de 2.477,15% em 1993 para 22,41% em 1995, e foi caindo até o menor patamar histórico de 1,65% em 1998.

O Plano Real criou as condições de estabilidade e previsibilidade da economia brasileira que viria a permitir o crescimento econômico nos anos seguintes. Um outro ponto de destaque foi que o plano foi a base para a Lei de Responsabilidade Fiscal, que é tida como fundamental para o equilíbrio das contas públicas no longo prazo. 

O período de hiperinflação somente conseguiu ser superado com um plano econômico robusto, transparente e inteligente, que tinha como principal objetivo combater a inflação e o inchaço da máquina pública. Desde então, a inflação está controlada e o país vive um período de relativa estabilidade inflacionária.

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