Plano Real, uma forma de controlar a inflação

Todos os meses o governo divulga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que é considerado a inflação oficial do país. Porém, as famílias percebem – no bolso – que a inflação divulgada não condiz com a sua realidade.

A existência dessa diferença não significa que o IPCA esteja errado, ou que ele seja fraudado. Isso ocorre devido a métrica usada para calcular o índice, que muitas vezes não reflete de forma exata a realidade de gastos das famílias brasileiras. 

O IPCA

Como é impossível acompanhar a variação de preços de todos os produtos da economia, o cálculo do IPCA baseia-se na observação de uma cesta fixa de aproximadamente 400 bens e serviços, divididos em 9 segmentos, cujos preços são regularmente atualizados.

Na tabela abaixo podemos ver a composição do IPCA por segmentos

Segmento Peso
Alimentação e Bebidas 23,12%
Transportes 20,54%
Habitação 14,62%
Saúde e Cuidados Pessoais 11,09%
Despesas Pessoais 9,94%
Vestuário 6,67%
Comunicação 4,96%
Artigos de residência 4,69%
Educação 4,37%

O preço de cada produto é ponderado proporcionalmente ao seu peso na despesa de consumo estimada das famílias. Assim, o índice considera não só as variações nos preços, mas também a participação de cada item no orçamento médio das famílias brasileiras.

Por este motivo, pode ocorrer que determinados produtos tenham forte alta em um ano, porém como são pouco representativos no orçamento médio das famílias tem pouco impacto no IPCA. 

A inflação real

Vale lembrar que como todo índice, a inflação oficial é calculada a partir de uma média de gastos, claro que cada família vai ter uma composição de gastos diferente, em que determinados produtos podem pesar mais no orçamento do que outros. 

Exemplo: famílias que têm idosos tendem a ter uma exposição maior a variações nos preços de saúde e medicamentos do que aquelas que têm pais jovens e crianças pequenas. Assim, cada família tem a sua “própria” inflação. Já famílias que têm crianças ficam mais expostas a variações de preços relacionados com educação como escola, material de papelaria etc. 

Outros “tipos” de inflação

Assim como o IPCA e a inflação real são diferentes, existem diversos tipos de índices de inflação que são mais específicos que o IPCA e buscam medir a variação de preços de forma menos abrangente que a inflação oficial.

Um exemplo é o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) que é calculado de Fundação Getúlio Vargas (FGV) e serve como base para correções de contratos de aluguéis e reajustes na energia, sendo considerado a “inflação” do aluguel e da energia no país.

Como a inflação oficial é calculada a partir de uma média de gastos de cada família, é natural que o seu valor não seja, necessariamente, o aumento de preços sentido no bolso do consumidor. Porém, entender o seu funcionamento é um bom parâmetro para entender o aumento de preços sentido pelo consumidor.

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